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Por que crescem os casos de homicídios na Capital e interior?

Por que explodiram os números de homicídios na capital gaúcha?

O crescimento no número de homicídios na capital do estado, que saltou de 309 no ano de 2006 para 498 até 26 de novembro 11 deste ano, não é surpresa, haja visto que no interior do estado o aumento também é vertiginoso. Por quê?

●Baixo efetivo das polícias: faltam 14 mil na BM e 4,5 mil na PC.
●Há 27 mil inquéritos relativos a crimes gravíssimos parados nos armários das Delegacias de Polícias de todo o estado.
●Da frota de veículos das instituições vinculada à Secretaria de Segurança Pública (SSP), 60 % encontra-se parada por falta de manutenção. Na Brigada Militar, a maioria das viaturas foram compradas com verbas do governo Lula e sua manutenção é realizada por prefeituras municipais, Consepros e outros, sendo que, há muito tempo, o investimento do Estado na aquisição e manutenção de viaturas é diminuto. Hoje três quartos frota são constituídos por veículos com mais de quatro anos de uso. Portanto, é fácil saber por que faltam viaturas.
●O Sistema de comunicação da BM é um verdadeiro “caos” em todo o estado faltam rádios portáteis de comunicação. O cidadão, invariavelmente, leva mais de duas horas para ser atendido e só consegue o atendimento graças ao telefone celular particular dos brigadianos.
●As Delegacias de Polícia estão em condições precárias. Observe o que diz o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, ao mostrar fotos de Delegacias de Polícia da capital e do interior para comprovar as condições de trabalho e de infra-estrutura. Para se ter uma idéia, o prédio da DP de Frederico Westphalen está quase desabando. "Chove dentro da Delegacia, há riscos com a fiação elétrica, rachaduras nas paredes, infiltrações, telhado e escadaria comprometidos. É um verdadeiro lixo". Em Santa Maria, 17 servidores contraíram leptospirose. A Vigilância Sanitária recomenda iluminação e arejamento no depósito. A realidade não difere em Alvorada, onde apenas um policial plantonista atende, em média, 53 ocorrências por dia. Lá, a obra do novo prédio da DP foi paralisada devido a falta de pagamento por parte do governo estadual.
●Faltam 290 delegados de polícia no Rio Grande do Sul, além de praticamente metade das cidades gaúchas não terem distritos policiais.
●Políticas de abordagem policial por barreiras, com hora, dia e local pré-determinados pelo Comando Geral da BM.

Como se vê, a elevação dos casos de homicídios foi e é uma tragédia anunciada pela falta de uma política de segurança pública que envolva integração das forças policiais, eficiência, equipamentos, capacidade de ouvir os reclames da sociedade e, assim, agir na prevenção dos crimes. Vejam o que o governo Yeda e o secretário Malmann vêm realizando:


Integração sem convicção ou dividir para poder comandar?

Existe um ditado no meio militar que diz: “Quando um Oficial Comandante chega em uma nova unidade deve dividir os grupos ali instalados e assim promover a instabilidade na tropa. Logo em seguida, impôr sua ordem, ou seja: comandar. Ao assumir a pasta da Segurança Pública no estado, em abril deste ano, o secretário Mallmann anunciou uma cartilha contendo 23 ações, sendo três delas referentes a integração das ações policiais: reorganizar e reativar o Gabinete de Gestão integrada (GGI) no Estado; planejar e executar ações conjuntas entre os órgãos policiais de todos os níveis e adotar medidas concretas que favoreçam a integração dos segmentos policiais.

O espírito desta integração veio a tona com a publicação da Portaria N.º 055/27, em 26 de junho 2007, no Diário Oficial do Estado, dizendo que a Polícia Civil deve participar com seus efetivos, em conjunto com a Brigada Militar, nas Operações Cadeado e Lei Seca. Mas em razão das últimas atuações das polícias no Estado constata-se que o mais próximo da integração que o secretário Mallmann conseguiu chegar com sua proposta foi a publicação.

Esta integração sem convicção, mas divisionista, ficou latente quando a Polícia Federal e a Secretaria da Segurança divulgaram a “Operação Patrimônio” com o intuito de combater o furto e roubo de veículos. Juntamente com a Brigada Militar, a PF desenvolveu investigações que duraram oito meses. Desse modo, a PF desenvolveu atividades que são tipicamente da competência da Polícia Civil, pois investigar esse tipo de delito é missão típica da PC, por tratar-se de um crime comum da esfera estadual e não da alçada federal. Na ocasião, a ineficácia da Secretaria da Segurança e a falta de uma política - houve inclusive a participação do Ministério Público Estadual e não Federal. Esta “operação” não teve a participação da Polícia Civil do Estado e a integração ficou entre a PF e a BM.

Outra operação separatista, realizada no Estado sem integração, foi a chamada “Operação Carga Pesada”, realizada durante aproximadamente dois meses pela Polícia Civil sem “a integração dos segmentos policiais” . A última investida da Segurança Pública foi a “Operação Lamarca”, realizada no dia 03 de outubro, no Bairro Agronomia, pela Polícia Civil e sem nenhuma participação dos demais segmentos policiais. Para comprovar que o ditado militar foi assimilado pelo Malmann , na manhã do fatídico dia da “Operação Lamarca”, o GGI do RS realizou, na sede da SSP/RS, a sua quinta reunião de trabalho do ano com a premissa de estabelecer uma rede estadual e nacional de intercâmbio de informações.

Portanto, a falta de uma integração dos órgão da segurança pública também é um dos geradores para propagação da elevação dos homicídios.


A ineficácia da secretaria da segurança e a falta de uma política

A ineficácia da Secretaria da Segurança pública ficou demonstrada com a saída do secretário substituto da SSP, delegado da Polícia Federal Ademar Stocker; do coronel Aurélio Ferreira Rodrigues, que serviu durante quatro anos com o também delegado da Polícia Federal Luis Fernando Correa, na SENASP, e da retirada do Comando do Policiamento da Capital em razão de não concordar com a política implementada na área da segurança, que tem se limitado a realizar barreiras em locais pré-definidos e por ter informado que o Comando de Policiamento da Capital possui uma defasagem de 41% de efetivo e carência de viaturas. O Coronel Sérgio Pastl, quando esteve no comando daquela Unidade, também não teve condições de convencer o comandante da Brigada Militar e o secretário da Segurança sobre o equívoco que é a política desenvolvida para a Segurança Pública em nosso estado e foi colocado na área de ensino, a qual não tem recebido policiais para formação ou capacitação.

Todos os dias, a população gaúcha assiste a Brigada Militar realizar ações de “controle” das pessoas em locais de fácil acesso, como no centro e avenidas das cidades. O que não constatamos é a presença integrada da Brigada Militar e da Polícia Civil em locais onde os crimes mais graves acontecem, como nas regiões de tráfico de drogas e homicídios, os quais se localizam especialmente nos bairros Rubem Berta, Restinga, Santa Tereza, Cristal, Sarandi e Bom Jesus, ou mesmo nas vilas de Alvorada, Cachoeirinha, Sapucaia do Sul, Gravataí, Viamão, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Pelotas, Uruguaiana, Passo Fundo, Rio Grande e Santa Maria.

Enquanto a Secretaria da Segurança divulga os dados estatísticos mensalmente, onde se constata o crescimento dos homicídios, latrocínios e seqüestros relâmpagos, o comandante geral da Brigada Militar está preocupado em entronizar fotografias da governadora e dele próprio nos gabinetes dos comandantes de unidades e alterar o Escudo da Brigada Militar de modo que se pareça com o da Polícia Federal.

Contratação de Brigadianos Temporários e cursos rápidos

Quando o governo Rigotto implantou, com a ajuda dos deputados, o Quadro dos PMs Temporários para jovens sem o necessário treinamento de dez meses, sob o pretexto de que tiveram treinamento militar, ou seja, egressos das forças armadas, governo justificou a iniciativa como uma solução no combate ao desemprego e não a violência. A Lei prevê a contratação de 1.500 policiais temporários, que passaram a atuar em municípios com população superior a 100 mil habitantes e em atividades de baixo potencial de risco, liberando outros brigadianos para o policiamento ostensivo.

Assim, o governo Rigotto tangenciou a falta de efetivo com os PMs Temporários. Do mesmo modo vem agindo a governadora Yeda, que renovou os contratos dos brigadianos temporários e nomeou um grupo de 700 brigadianos que será submetido a um curso de 60 dias. E isto em uma sociedade onde os indicadores de violência vêm alcançando níveis de (in)segurança, se comparados ao mesmo período de 2006. Naquela ocasião, foram registrados 347.413 ocorrências, contra as atuais 367.325 de 2007. O destaque ficou por conta dos roubos, homicídios e furtos de toda a ordem, ou seja, um aumento de 6% nos casos de violências.


Secretário Malmann faz conjugação de verbo pela metade

No dia 23 de abril, o delegado da Polícia Federal José Francisco Mallmann assumiu como novo titular da Secretaria da Segurança Pública. Em sua posse apresentou um rol de 23 medidas para o setor. Nas metas estabelecidas estão o emprego de verbos como propor, detalhar, implantar, celebrar, agilizar, reoganizar, racionalizar, determinar, estabelecer, planejar, definir, normatizar, adotar e expedir. Que bom que este secretário sabe conjugar os verbos no tempo certo.

Contudo, o que chamou a atenção foi a falta da conjugação do verbo “divulgar”, que passou a ser conjugado não na foram gramatical correta, mas na forma que interessava ao governo. Quando um determinado crime sofria uma pequena redução sem ser levado em conta toda a extensão territorial e a realidade das cidades gaúchas, este mesmo gramático e secretário dizia que os crime reduziram.

Portanto, foi preciso alguém de dentro da própria SSP contrária ao verbo “divulgar” do secretário, para mostrar que a forma usada é errada e não espelha a realidade do dia-a-dia do cidadão.

Escrito por josegomesjunior às 14h09
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