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Ilha de fraudador escondia um tesouro em obras de arte
Ao devassar os documentos apreendidos com os integrantes da quadrilha desbaratada na Operação Jaleco - que desviou R$ 630 milhões da Universidade Federal, prefeitura de Salvador e governo da Bahia - a Polícia Federal se deparou ontem com um verdadeiro tesouro supostamente lavado com dinheiro de corrupção: uma ilha avaliada em US$ 6 milhões a poucos quilômetros da Ilha de Itaparica, onde se encontravam também duas mansões e três escunas, e uma coleção de obras de arte na qual destacam-se telas originais de Pablo Picasso, Di Cavalcanti, Cândido Portinari e Carybé, entre outros.
Há ainda na lista de apreensões 18 automóveis de luxo, avaliados em R$ 2 milhões e uma série de documentos e contratos envolvendo a posse de móveis e imóveis que a polícia está decifrando para chegar a outros bens da quadrilha.
Formalmente apreendida, a ilha pertence ao presidente do Esporte Clube Bahia, Marcelo Guimarães, que está entre os 17 presos na última quinta-feira. Guimarães é pai do deputado federal Marcelo Guimarães (PMDB-BA), que integra a base aliada do governo. Olhando de cima, a ilha parece um traço retangular próximo a Itaparica, a cerca de 20 quilômetros de Salvador. As duas mansões, cujo valor ainda não foi calculado, estão num dos extremos da ilha próximo ao pier e da vegetação mais densa. Já a coleção de obras de arte, pertence ao empresário Gervásio Oliveira, que está entre os três acusados que escaparam da Operação Jaleco Branco e se encontram foragidos, mas com as prisões decretadas pela justiça federal. A coleção de obras de arte do empresário se transformou numa atração em Salvador pela suposta originalidade e valor das obras. Segundo a polícia, admiradores formam fila para apreciar os quadros originais.
A fama de amante da arte não livrou Oliveira das investigações. Seu nome surgiu como um dos principais envolvidos com o grupo que, nos últimos dez anos, teria fraudado licitações para desviar dinheiro público através de serviços de limpeza, vigilância e fornecimento de alimentos para órgãos públicos na Bahia. Conforme levantamento da própria polícia, o grupo desviou R$ 294 milhões da Prefeitura de Salvador, R$ 263,8 milhões de diversos órgãos do governo baiano - destes, F 53, 3 milhões só da Secretaria Estadual de Saúde - e R$ 71, 4 milhões da UFBA. A polícia acredita que se a justiça aceitar os pedidos de seqüestro e confisco, parte do que foi desviado pode ser recuperada.
copiado do site fenepef
Escrito por josegomesjunior às 15h45
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